Saudade

Há quatro anos eu nada sabia sobre perdas, sobre saudade, sobre sentir falta. Sobre aquele sentimento de não acreditar que as coisas estão acontecendo mesmo que estivessem se passando na minha frente.

Há quatro anos eu não sabia o que era me virar sozinha, o que era esconder sentimentos, o que era engolir no seco tristezas. Até quatro anos atrás eu só havia vivido sorrisos, chocolates, presentes, lembranças, bolos, mais sorrisos, passeios até a lagoa, até a cachoeira, até o matinho e as taquaras. Só havia provado o gosto delicioso de se viver em paz, podendo gozar da liberdade de andar sem medo e sem rumo.

A vida dá voltas, ela me derrubou de uma maneira que eu pensei não levantar, e quando eu estava pensando que poderia me erguer, ela me derrubou outra vez, outra perda, outra saudade. Mas não se engane, a vida não parou de me derrubar, muito pelo contrário, ela continuou, quem mudou fui eu que aprendi que devo me levantar sem esperar que a felicidade volte PLENA pra mim.

Quando eu era pequena pensava que eu era feliz, eu não só pensava, eu tive anos e anos de plena felicidade, pois as coisas mais terríveis que me aconteciam eram levar pontos por empurrar um balanço que volta em minha testa. Ah, aquilo era felicidade… Só depois de muitos anos e muitos tropeços na vida que eu entendi que chegamos em um momento em que a felicidade é vivida em momentos, porque quanto mais você entende o mundo em que vivemos, mais você compreende que não se pode ser feliz o tempo todo, no começo você demora pra acreditar, depois você se joga de cabeça nos momentos felizes e tenta fazer com que os tristes parem de te deixar cair. Você se mantém em pé.

Minhas palavras acabaram num desabafo, mas era pra marcar toda a saudade e toda falta que a dona Cerise faz na minha vida, ontem se completaram 4 anos que ela se foi, e quando penso em algo bom, ela sempre está no meio. Até porque ela sempre esteve aqui, todo o tempo pra mim. Obrigada por toda sua doçura, seus ensinamentos, seus sorrisos, por sempre me ensinar a rir de tudo e gozar da vida, obrigada por me ensinar até mesmo coisas ruins com um sorriso, por nunca levantar seu tom de voz pra mim ou me xingar em tom que não fosse de brincadeira. Sua bondade é lembrada por todos. Obrigada por me permitir ter muito de você, e desculpe não continuar, mas falar de você toca no meu ponto fraco.